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Inovação no setor público não se anuncia, se executa

Marco Antonio Zanatta
Fundador e CEO da Aprova
Já não basta ter um bom plano. A inovação pública mudou de fase: o que separa uma cidade excelente de uma apenas promissora é a capacidade de execução.
Ipatinga, acabou de provar isso ao conquistar a Medalha Pan-Americana da Inovação com apenas três meses de projeto em produção.
Não foi sorte. Foi método.
Durante anos, o debate sobre cidades inteligentes girou em torno de orçamentos vultosos, editais intermináveis e pilotos que nunca saíram do papel.
Conferências internacionais premiavam apresentações bonitas e promessas bem diagramadas. O critério implícito era: quanto maior a ambição declarada, mais inovadora a cidade.
Esse tempo acabou.
A virada se chama execução e resultado. E a cidade mineira acaba de dar uma aula sobre o assunto.
Há 90 dias, a Prefeitura de Ipatinga colocava em implantação a BB Governo Digital, plataforma que digitalizou e automatizou integralmente os processos administrativos do município.
No início deste ano nós fizemos essa reflexão no artigo: O que você entregou nos primeiros 20 dias do ano? E no ato do lançamento, a gente já sabia que os resultados chegariam rápido.
Enquanto muitas cidades ainda discutiam qual software comprar ou qual secretaria seria a primeira a testar um piloto, Ipatinga já havia eliminado o papel, rastreado 15 mil processos e economizado R$ 3 milhões em menos de três meses.
O reconhecimento pelos resultados veio na forma de prêmio, a Medalha Pan-americana, entregue durante o Fórum Pan-americano de Inovação na Expo BH 2026.
E mais: a confirmação da conquista de mais uma medalha, que será entregue em evento na cidade de Boston, nos Estados Unidos, em reconhecimento pelo projeto de transformação.

Mas o prêmio não é o principal. O ponto é o que ele representa: o reconhecimento internacional de que executar rápido e bem é, hoje, o principal critério de excelência na gestão pública.
E aqui cabe uma provocação direta aos gestores que ainda travam na fase de planejamento.
Quantos projetos inovadores sua cidade lançou nos últimos 12 meses?
Quantos deles saíram do PowerPoint?
E, mais importante: em quanto tempo eles entregaram resultados mensuráveis para o cidadão?
A resposta, na maioria dos casos, é constrangedora.
O que Ipatinga fez foi simples no conceito e brutal na execução: pegou uma plataforma pronta, com inteligência artificial e rastreabilidade, e colocou para funcionar em escala.
Não inventou a roda. Não esperou o cenário perfeito. Não criou uma comissão para estudar o que já estava estudado.
Ela apenas fez.
O prêmio pan-americano coroa exatamente essa atitude. Os avaliadores não escolheram o projeto mais caro, nem o mais futurista. Escolheram aquele que já estava entregando resultado enquanto os outros ainda escreviam o edital.
O recado para o mercado e para o setor público é inequívoco: a era dos anúncios sem entrega acabou. A inovação que importa é a que o cidadão sente no bolso e no tempo perdido – ou ganho.
Da próxima vez que alguém lhe apresentar um "projeto inovador", faça uma única pergunta: em quanto tempo isso entrega resultado?

Marco Antonio Zanatta
Sou fundador e CEO da Aprova, govtech referência em gestão, automação e inteligência artificial aplicada a processos eletrônicos públicos. Há quase uma década acompanho de perto a transformação digital em dezenas de prefeituras brasileiras. Me siga para ver como estamos, agora com o apoio do Banco do Brasil, construindo soluções inovadoras para o setor público.

