Legislação

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02/02/2026

IBS e CBS: o que são, como funcionam e o que muda com a reforma tributária

Veja o que são, quais impostos substituem, quando entram em vigor e os impactos práticos para municípios, empresas e o setor da construção civil.

O que são IBS e CBS

IBS e CBS são os dois novos impostos criados pela Reforma Tributária para reorganizar a tributação sobre o consumo no Brasil. O sistema atual cobra vários tributos ao mesmo tempo sobre a mesma operação, com regras diferentes entre União, Estados e Municípios. Isso gera insegurança jurídica, alto custo administrativo e dificuldade de fiscalização.

A reforma substitui esse modelo fragmentado por dois tributos principais, com regras padronizadas em todo o país. O objetivo não é apenas simplificar a lei, mas tornar a arrecadação mais previsível, transparente e baseada em dados.

Em termos diretos:

  • IBS e CBS concentram a tributação sobre bens e serviços

  • Reduzem conflitos entre entes federativos

  • Criam um modelo alinhado ao padrão internacional de IVA

Por que o sistema tributário precisou mudar

O modelo atual deixou de funcionar porque gera distorções estruturais. Empresas gastam tempo e dinheiro tentando interpretar regras conflitantes. Municípios e Estados disputam arrecadação em vez de cooperar. O poder público perde capacidade de planejamento.

Esses problemas não são pontuais. Eles são consequência direta de um sistema que cresceu sem coordenação. A reforma nasce para corrigir essa falha estrutural, não para criar um imposto novo isolado.

👉 FIQUE POR DENTRO:

Dados, gestão eficiente e soluções digitais garantem sustentabilidade municipal mesmo em tempos de queda no Fundo de Participação dos Municípios.

O que é IVA e por que IBS e CBS seguem esse modelo

O IVA, Imposto sobre Valor Agregado, tributa apenas o valor que cada etapa da cadeia econômica adiciona. Isso evita a cobrança em cascata e reduz o acúmulo de créditos tributários.

No modelo do IVA:

  • cada empresa paga imposto apenas sobre o que efetivamente produziu;

  • créditos das etapas anteriores são compensados automaticamente;

  • o imposto incide no destino, onde ocorre o consumo.

IBS e CBS são a adaptação desse modelo à estrutura federativa brasileira.

O que é IBS

O IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, substitui o ICMS e o ISS. Ele reúne, em um único tributo, a tributação hoje feita por Estados e Municípios sobre consumo.

A arrecadação continua pertencendo aos entes subnacionais, mas a lógica muda. O município deixa de operar sozinho e passa a integrar um sistema nacional de apuração e distribuição.

Na prática, isso significa que o município:

  • perde autonomia normativa sobre o antigo ISS;

  • ganha previsibilidade na arrecadação;

  • passa a depender da qualidade dos seus dados administrativos.

Como o IBS muda a arrecadação municipal

Com o IBS, a arrecadação passa a ser fortemente dependente de informação estruturada. Cadastros econômicos, imobiliários e fiscais deixam de ser meros registros administrativos e passam a impactar diretamente o quanto o município recebe.

Processos manuais, documentos físicos e sistemas desconectados se tornam gargalos reais. Municípios organizados tendem a capturar melhor sua base econômica. Municípios desorganizados perdem eficiência arrecadatória.

👉 SAIBA MAIS:

Em um cenário de constantes mudanças, ser protagonista é deixar de reagir e passar a agir. Municípios que assumem essa liderança oferecem serviços melhores, atraem investimentos e tornam a gestão pública mais próxima do cidadão. Veja como fortalecer o protagonismo municipal.

O que é CBS

A CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, é o tributo federal da reforma. Ela substitui PIS e Cofins, conhecidos pela complexidade, múltiplos regimes e alto contencioso judicial.

A CBS unifica essas cobranças em um único imposto, com regras mais claras e aplicação ampla. Ela entra antes do IBS e funciona como fase de adaptação ao novo modelo.

Diferença entre IBS e CBS

A diferença entre IBS e CBS está na competência, não na lógica.

Critério

IBS

CBS

Ente arrecadador

Estados e Municípios

União

Tributos substituídos

ICMS e ISS

PIS e Cofins

Modelo

IVA

IVA

Incidência

Consumo no destino

Consumo no destino

Para empresas e cidadãos, o funcionamento é semelhante. Para o poder público, muda a governança.

Quais impostos IBS e CBS substituem

Ao final da transição, deixam de existir:

  • ICMS

  • ISS

  • PIS

  • Cofins

  • IPI (em grande parte das operações)

No lugar, permanecem apenas IBS e CBS como tributos sobre consumo.

Quando IBS e CBS entram em vigor

A implementação é gradual:

  • 2026: início da CBS em fase de testes

  • 2027 a 2032: transição entre sistemas

  • 2033: IBS e CBS plenamente vigentes

Apesar do prazo, a adaptação operacional precisa começar antes.

Impactos para a gestão pública municipal

A reforma desloca o foco da arrecadação da norma para a gestão. O município passa a ser avaliado pela capacidade de organizar dados, integrar áreas e manter processos confiáveis.

Isso exige:

  • integração entre fazenda, urbanismo e fiscalização;

  • processos digitais padronizados;

  • dados estruturados e auditáveis.

Sem isso, o município perde controle e previsibilidade.

IBS, CBS e digitalização da gestão pública

IBS e CBS são impostos baseados em informação. Sem processos digitais, o sistema não funciona bem.

A digitalização deixa de ser modernização e passa a ser infraestrutura básica. Automatização de processos, gestão eletrônica de documentos e integração entre secretarias garantem consistência dos dados que alimentam a arrecadação.

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Impactos no setor da construção civil

A construção civil é um dos setores mais impactados pela reforma, especialmente no âmbito municipal. Alvarás de construção, licenças, habite-se e demais autorizações passam a ter peso direto não apenas urbanístico, mas também fiscal.

Quando esses processos são físicos ou fragmentados, o município perde rastreabilidade e controle. Quando são digitais e integrados, a gestão ganha velocidade, segurança e confiabilidade.

Com processos digitais e autodeclaratórios, o município:

  • emite alvará de construção de forma mais rápida;

  • reduz retrabalho e erros cadastrais;

  • cruza informações urbanísticas e fiscais automaticamente;

  • fortalece a arrecadação associada à atividade econômica.

Plataformas tecnológicas que centralizam licenciamento, documentação e dados da construção civil deixam de ser apoio e passam a ser peça-chave na adaptação ao IBS.

👉 FIQUE POR DENTRO:

Veja como a capital de Santa Catarina se tornou referência nos processos de licenciamento com o alvará autodeclaratório.

Perguntas frequentes - FAQ

  • O que são IBS e CBS?

IBS e CBS são os novos tributos criados pela reforma tributária para substituir impostos sobre consumo. O IBS substitui ICMS e ISS. A CBS substitui PIS e Cofins. O objetivo é simplificar regras, reduzir distorções e padronizar a tributação no Brasil.

  • Qual é a diferença entre IBS e CBS?

A diferença é a esfera de arrecadação. O IBS é compartilhado por estados e municípios. A CBS é federal. Ambos incidem sobre bens e serviços, mas impactam de forma diferente a gestão municipal.

  • Quando IBS e CBS entram em vigor?

IBS e CBS começam a ser aplicados em 2026, com transição até 2033. Durante esse período, os tributos antigos convivem com os novos, exigindo adaptação progressiva dos municípios.

  • Como IBS e CBS impactam os municípios?

IBS e CBS impactam os municípios ao mudar a forma de arrecadação e distribuição de receitas. O critério passa a ser o local de consumo, o que exige dados confiáveis, processos digitais e controle das atividades econômicas locais.

  • O que muda na arrecadação municipal com o IBS?

Com o IBS, a arrecadação passa a considerar o destino da operação, não a origem. Isso exige que o município saiba onde a atividade ocorre, quem executa e em qual estágio está, especialmente na construção civil.

  • Por que o IBS afeta diretamente a construção civil?

O IBS afeta a construção civil porque obras envolvem serviços continuados, licenças e declarações fiscais.
Sem controle digital de alvarás e obras, o município perde rastreabilidade e pode comprometer sua arrecadação futura.

  • Qual é o papel do alvará de construção no IBS?

O alvará de construção passa a ser um instrumento fiscal estratégico. Ele conecta imóvel, tipo de obra, responsáveis técnicos e valores declarados, servindo como base para dados confiáveis no novo modelo tributário.

  • O que são processos autodeclaratórios na construção civil?

Processos autodeclaratórios são fluxos digitais em que o cidadão informa os dados e o sistema valida regras automaticamente. Eles aceleram a emissão de alvarás, reduzem erros e aumentam a qualidade das informações usadas para fins fiscais.

  • Qual é a relação entre IBS, CBS e digitalização da gestão pública?

IBS e CBS exigem dados estruturados, integrados e auditáveis. Sem digitalização da gestão pública, especialmente no licenciamento urbano, o município não consegue operar o novo modelo tributário.

  • Municípios sem processos digitais podem perder arrecadação?

Sim. Municípios sem processos digitais tendem a perder eficiência e previsibilidade na arrecadação. A falta de dados confiáveis dificulta o controle das atividades econômicas e fragiliza a participação no rateio do IBS.

  • Digitalizar o licenciamento urbano ajuda na arrecadação?

Sim. A digitalização do licenciamento urbano melhora o controle de obras e a qualidade dos dados fiscais. Isso fortalece a arrecadação e prepara o município para o modelo do IBS.

  • IBS e CBS aumentam a carga tributária?

IBS e CBS não têm como objetivo aumentar a carga tributária. A proposta é simplificar e redistribuir. Porém, municípios despreparados podem arrecadar menos.

  • O que os municípios precisam fazer agora?

Os municípios precisam iniciar a adaptação antes da transição avançar. Isso inclui digitalizar alvarás, estruturar dados urbanos e automatizar processos relacionados à construção civil.

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