Modelo de CI na Prefeitura: estrutura, uso e guia prático
Uma boa parte do retrabalho administrativo de uma prefeitura não está nos processos externos, mas na tramitação interna: um documento que fica parado na mesa errada, uma solicitação que se perde entre secretarias, uma assinatura que demora dias para acontecer porque depende de alguém “passar por lá”.
A ferramenta que formaliza essa tramitação entre setores de um mesmo órgão é a CI — Comunicação Interna. Neste guia você encontra o que é a CI, um modelo pronto para usar, a diferença em relação a ofício e memorando, e como reduzir o tempo de resposta entre secretarias digitalizando esse fluxo.
Modelo de CI na prefeitura: o documento deve reunir órgão e setor emissor, numeração, data, destinatário por cargo, assunto, texto objetivo, prazo ou providência esperada e assinatura. Em um fluxo digital, cada etapa fica registrada com responsável, prazo e status.
O que é CI (Comunicação Interna) e qual sua base normativa
CI é a nomenclatura adotada por manuais de redação oficial estaduais e municipais para expedientes no padrão ofício que tramitam entre unidades administrativas de um mesmo órgão — diferente do ofício, reservado à comunicação externa entre órgãos distintos ou com terceiros.
A base desse padrão está no Manual de Redação da Presidência da República, que define a estrutura do padrão ofício: identificação do expediente, ementa, texto, fecho e assinatura. Estados e municípios adaptam essa estrutura em manuais próprios para uso interno — como faz o Manual de Comunicação Escrita Oficial do Estado do Paraná, que trata especificamente da CI como instrumento de comunicação entre setores.
Na prática, se sua prefeitura ainda não tem uma instrução normativa própria padronizando a CI, vale formalizar isso: reduz erro de formatação, retrabalho e dúvida sobre quem pode assinar o quê.
Modelo de CI: estrutura completa para usar na sua prefeitura
Um modelo de CI segue a lógica do padrão ofício, com os seguintes campos:
- Cabeçalho — identificação do órgão/secretaria emissora.
- Número e ano do documento — numeração sequencial de controle (ex.: CI nº 045/2026).
- Local e data — cidade e data de emissão.
- Destinatário — cargo e setor de quem recebe (preferir o cargo ao nome próprio, para não depender de quem ocupa a função no momento).
- Ementa/Assunto — resumo objetivo do conteúdo em uma linha.
- Texto — introdução (motivo da comunicação), desenvolvimento (detalhamento) e fecho (solicitação de providência).
- Assinatura — nome, cargo e, quando aplicável, assinatura digital com certificado ICP-Brasil.
Exemplo prático:
PREFEITURA MUNICIPAL DE [CIDADE]
Secretaria de [Nome da Secretaria]
CI nº 045/2026 [Cidade], 31 de julho de 2026
Ao Sr(a). [Cargo do destinatário]
Secretaria de [Nome]
Assunto: Solicitação de manutenção preventiva nos veículos da frota
Prezado(a) Secretário(a),
Solicitamos providências quanto à manutenção preventiva dos veículos
vinculados a esta Secretaria, conforme cronograma anexo, tendo em vista
o vencimento do prazo de revisão em 15 dias.
Colocamo-nos à disposição para esclarecimentos adicionais.
Atenciosamente,
[Nome]
[Cargo]
Manter esse padrão evita que cada servidor precise “descobrir” como redigir uma CI do zero. Formalizar esse modelo em uma plataforma de tramitação digital, com numeração automática e assinatura eletrônica, elimina a etapa manual de conferência e reduz o risco de extravio — como já fez a Prefeitura de Cascavel, no exemplo mais adiante.
CI, ofício e memorando: qual a diferença
Os três são expedientes no padrão ofício, mas com escopo de circulação diferente:
| Documento | Uso | Circulação |
|---|---|---|
| CI (Comunicação Interna) | Comunicação entre setores do mesmo órgão | Interna |
| Memorando | Comunicação interna, com viés mais informativo/normativo | Interna |
| Ofício | Comunicação oficial entre órgãos ou com pessoas externas | Externa |
Para aprofundar quando usar cada um — inclusive os riscos jurídicos de misturar os três — veja a diferença entre memorando e ofício e baixe o guia prático do ofício, com modelo completo baseado no Manual de Redação da Presidência da República.
Os riscos de manter a comunicação interna manual
Em uma prefeitura de porte médio, com secretarias divididas em subsecretarias e departamentos, uma CI em papel percorre um caminho longo: o gestor assina, protocola, o subordinado leva até a subsecretaria, o supervisor recebe e decide os próximos passos — e cada etapa depende de alguém fisicamente disponível para dar sequência.
Esse modelo manual concentra três riscos operacionais recorrentes:
- Perda de prazo — documento parado na mesa errada, sem visibilidade de onde está.
- Ausência de rastreabilidade — não há registro de quem recebeu, quando recebeu e o que decidiu.
- Insegurança jurídica — dificuldade de comprovar autenticidade e tempestividade da comunicação em uma eventual auditoria ou processo administrativo.
Quando o fluxo depende de quadros de aviso físicos ou de circulação manual entre mesas, a comunicação também deixa de permitir interação — dúvida, sugestão ou correção de rota ficam sem canal de resposta.
Indicadores para acompanhar a tramitação
A gestão deve acompanhar pelo menos quatro indicadores: tempo mediano entre envio e recebimento, percentual de documentos respondidos dentro do prazo, quantidade de devoluções por erro de encaminhamento e tempo entre a aprovação e a assinatura. Esses dados mostram onde o fluxo trava e orientam ajustes de responsabilidade, prazo e distribuição.
Como digitalizar a comunicação interna da sua prefeitura
Substituir CI em papel por um fluxo digital resolve os três riscos acima: cada documento tramita com prazo, responsável e status visíveis em tempo real, e a assinatura eletrônica (padrão ICP-Brasil) garante validade jurídica sem necessidade de impressão.
Uma plataforma de processo eletrônico para prefeituras cobre exatamente esse fluxo — desde a criação do documento com numeração automática até a tramitação entre secretarias e a assinatura digital. O resultado esperado é reduzir deslocamentos, dar visibilidade aos prazos e criar um histórico confiável para a gestão.
Reduzir esse tempo de resposta entre setores também tem relação direta com celeridade processual e com a política mais ampla de gestão de documentos públicos da prefeitura — a CI é só um dos expedientes que passam a tramitar dentro dessa mesma lógica digital, junto com ofícios e memorandos e demais documentos internos, no caminho de uma prefeitura sem papel.
Perguntas frequentes sobre CI na prefeitura
O que significa CI em um documento da prefeitura?
CI é a sigla de Comunicação Interna, um expediente no padrão ofício usado para tramitar informações, solicitações ou determinações entre setores do mesmo órgão público.
Qual a diferença entre CI e memorando?
Ambos circulam internamente, mas a CI costuma ser usada especificamente para comunicação entre secretarias/setores dentro de um mesmo órgão, enquanto o memorando tem uso mais amplo e, em muitos manuais, caráter mais normativo/informativo. A nomenclatura exata varia conforme o manual de redação de cada estado ou município — por isso vale ter uma instrução normativa própria.
A CI precisa de assinatura digital para ter validade?
Não é obrigatório, mas a assinatura digital com certificado ICP-Brasil garante autenticidade e validade jurídica equivalente à assinatura física, além de eliminar a necessidade de impressão e tramitação física do documento.
Existe um modelo oficial único de CI para todas as prefeituras?
Não existe um modelo federal único. A estrutura segue o padrão ofício do Manual de Redação da Presidência da República, mas cada estado ou município costuma formalizar seu próprio modelo em manual de redação ou instrução normativa local.
Como reduzir o tempo de tramitação de uma CI entre secretarias?
Digitalizando o fluxo: uma plataforma de processo eletrônico elimina o transporte físico do documento, notifica automaticamente o destinatário e permite acompanhar o status em tempo real, reduzindo o tempo de resposta entre setores.
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Redação Aprova
A Redação Aprova produz conteúdos sobre gestão pública, legislação e transformação digital para apoiar prefeitos, secretários e equipes municipais. Os artigos são desenvolvidos com base em fontes oficiais, boas práticas do setor público e a partir da experiência da Aprova no desenvolvimento de soluções para modernizar a administração municipal.