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Por que dezenas de sistemas não são sinal de modernização digital

Redação Aprova 4 min de leitura

Ter dezenas ou até centenas de sistemas em operação não significa que uma prefeitura, câmara municipal ou órgão público está mais digitalizado — significa, na maioria dos casos, que cada problema foi resolvido isoladamente, sem que ninguém tenha se responsabilizado pela integração entre eles. Modernização digital não se mede pelo número de licenças ativas ou de contratos de TI vigentes, mas pela capacidade de um dado nascer uma vez e circular por toda a instituição sem precisar ser digitado de novo em outro lugar.

Sistema isolado resolve um problema e cria outro

Não é incomum uma administração acumular, ao longo de dez ou quinze anos, um sistema para folha de pagamento, outro para tributos, outro para protocolo, mais um desenvolvido internamente para uma demanda pontual de uma secretaria e, por cima disso, planilhas que ninguém formalizou mas que todo mundo usa para “fazer a ponte” entre os sistemas oficiais. Cada contratação, isoladamente, fez sentido no momento em que foi decidida. O problema aparece depois, quando alguém precisa de uma informação que atravessa dois desses sistemas e descobre que não existe integração nenhuma entre eles — só a boa vontade de um servidor que sabe exportar uma planilha de um lado e importar do outro.

Esse acúmulo tem um efeito que raramente entra na conta na hora de contratar um novo sistema: cada ferramenta nova, se não for avaliada contra o que já existe, não substitui nada — ela só soma mais um contrato para renovar, mais uma senha para gerenciar, mais um cadastro do mesmo cidadão guardado de um jeito diferente em algum lugar da rede.

O custo real não está na licença, está no retrabalho

O gasto mais visível de manter vários sistemas desconectados é o valor do contrato de cada um. O gasto mais caro, e o que raramente aparece em planilha orçamentária, é o retrabalho entre eles: o servidor que confere manualmente se o CPF cadastrado no sistema tributário é o mesmo grafado no sistema de protocolo, o tempo gasto exportando relatório de um sistema para montar um indicador que devia existir pronto, a trilha de decisão de um processo que fica espalhada entre e-mail, WhatsApp e três telas diferentes — e que, numa auditoria, ninguém consegue reconstruir com uma única consulta.

Equipes de tecnologia mais maduras já tentaram compensar essa fragmentação usando agentes de inteligência artificial genéricos para automatizar o preenchimento entre sistemas que não conversam nativamente entre si. O resultado costuma esbarrar exatamente no ponto que a tentativa deveria resolver: sem uma integração real via API, um agente de IA genérico só automatiza o mesmo retrabalho manual, mais rápido — ele não elimina a causa, que é a ausência de uma fonte única de verdade para cada tipo de dado.

Trocar de fornecedor sem redesenhar o fluxo é mudar de lugar o mesmo problema

A tentação diante desse cenário costuma ser trocar o sistema mais antigo por um mais novo, prometendo resolver tudo de uma vez. Mas migrar de plataforma sem antes decidir qual sistema é a fonte de verdade de cada informação — cadastro do munícipe, número de processo, status de tramitação — só desloca a fragmentação para outro fornecedor. O ganho real de uma modernização não está em ter menos telas, está em ter uma arquitetura onde cada sistema mantém a função em que é bom e troca dado com os demais por integração, não por digitação repetida. É a mesma lógica que sustenta a diferença entre um processo eletrônico bem estruturado e um módulo genérico de protocolo: o critério não é quantos sistemas existem, é se eles conversam entre si.

A Lei do Governo Digital (Lei nº 14.129/2021), embora de aplicação direta à administração pública federal, consagra a interoperabilidade entre sistemas de informação como um dos princípios que orientam a transformação digital do setor público — e é justamente esse princípio, mais do que a quantidade de ferramentas em uso, que a maioria dos municípios ainda não incorporou nas próprias políticas de governo digital.

Conclusão

Antes de contratar mais um sistema para resolver mais um problema pontual, vale a pergunta inversa: quantos dos sistemas que já existem hoje resolveriam esse mesmo problema se conversassem entre si? Modernização digital que se mede em número de contratos tende a ficar mais cara e mais frágil a cada ano; a que se mede em integração tende a ficar mais simples de auditar, de manter e de explicar ao cidadão. Agende uma demonstração da Aprova para ver como um único processo eletrônico se integra ao que a sua instituição já usa, em vez de virar mais um sistema isolado na lista.

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A Redação Aprova produz conteúdos sobre gestão pública, legislação e transformação digital para apoiar prefeitos, secretários e equipes municipais. Os artigos são desenvolvidos com base em fontes oficiais, boas práticas do setor público e a partir da experiência da Aprova no desenvolvimento de soluções para modernizar a administração municipal.

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